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Muitas empresas, ávidas por não ficarem para trás em termos de tecnologia ou o que parece ser a mais recente “moda”, acabam desenvolvendo gadgets digitais-como um novo aplicativo, por exemplo- pensando, assim, estar realizando uma grande transformação digital em seus negócios. Esta, uma ilusão que pode custar a real sustentabilidade do negócio.

Claro, é sempre importante dar um primeiro passo e buscar caminhos ao considerar oportunidades no contexto da economia digital. Entretanto, uma simples implementação de uma ferramenta tecnológica, sem estar embasada de maneira sinérgica à estratégia da empresa e alinhada à uma visão transformativa, não trará um crescimento sustentável e diferencial em termos de valor ofertado aos clientes.

Em busca de respostas sobre como as empresas estão trabalhando com tecnologia digital atualmente, os pesquisadores George Westerman, Didier Bonnet e Andrew McAFEE viajaram o mundo para conversar com líderes de diversos setores. Os conhecimentos adquiridos ao longo da rica pesquisa originaram o livro “Liderando na Era Digital”, publicado pela Harvard Business Review Press.

Segundo os autores, há 4 tipos de empresas conforme sua utilização da tecnologia para transformação do negócio: Principiantes, Fashionistas, Conservadores e Mestres Digitais. A transformação digital é avaliada conforme a capacidade digital além de liderança, de acordo com as características abaixo:

– Principiantes: Gestão cética de valor para a empresa das tecnologias digitais, talvez realizando alguns experimentos, e cultura digital ainda imatura;
– Fashionistas: Vários recursos digitais avançados em silos, nenhuma visão abrangente, coordenação subdesenvolvida e cultura digital em silos;
-Conservadores: Visão digital abrangente, porém possivelmente subdesenvolvida, poucos recursos digitais avançados embora capacidades digitais tradicionais possam estar maduras, forte governança digital rompendo a barreira dos silos e etapas ativas para desenvolver habilidades e culturas digitais;
-“Mestres Digitais”: Forte visão digital abrangente, excelente governança rompendo a barreira de silos, várias iniciativas digitais gerando valor para a empresa de forma mensurável e forte cultura digital.

A grande diferença de empresas que representam a minoria na pesquisa e são consideradas “Mestres Digitais”, como a Amazon e a Nike por exemplo, é não somente suas capacidades digitais, mas a capacidade e atuação da liderança diante dos desafios ao direcionar a empresa nessa transformação digital. Afinal, sem uma gestão adequada, não há possibilidade de mudanças ou ganhos em um cenário complexo.

O grande papel da liderança, então, é traduzir uma visão transformativa considerando os desafios do novo contexto a ser compartilhada por todos em um direcionamento estratégico para a empresa. Igualmente relevante é dar as diretrizes desta transformação, inspirando os colaboradores a seguirem o plano, mas sem esquecer o espaço para que eles próprios conduzam a transformação e tenham possibilidade de inovar, utilizando seus conhecimentos à serviço do desafio.

Por isso, a transformação digital está longe de ser uma responsabilidade somente da área de TI ou do CTO, é preciso englobar toda a empresa nesse processo, especialmente as áreas estratégicas de negócio. Assim, um outro importante papel da liderança é coordenar essa transformação de modo que diferentes áreas trabalhem de maneira colaborativa, unindo suas expertises e chegando a uma compreensão mútua do melhor a ser realizado. Comunicação: eis um outro tema relevante e essencial para que a transformação digital aconteça e que de alguma forma deve estar na pauta e na observância da liderança.

Todo projeto importante de uma companhia necessita de respaldo e governança para que saia do papel. Ainda mais importante é o papel dos líderes considerando a transformação digital, afinal este desafio exige, na maioria das vezes, mudança de mindset e resolução de conflitos quando necessário. Como um verdadeiro líder servidor, o líder na era da transformação digital deve inspirar e permitir que a sua equipe atinja todo o potencial em um momento de grandes possibilidades.

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Jonas Risovas Anna Albregard 30 setembro 2019