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A pandemia provocada pelo novo corona vírus evidenciou de forma inegável a necessidade de investimentos na área de saúde. Mesmo nos países considerados mais desenvolvidos na oferta de serviços públicos de saúde, a Covid-19 fez as autoridades públicas repensarem a destinação dos recursos para a realização de pesquisas, construção de aparelhos de saúde e compra de insumos e tecnologias.

Nesse sentido, a pandemia só reforçou uma tendência que já vinha se fortalecendo nos últimos anos, especialmente a partir do desenvolvimento tecnológico: a necessidade de investimentos na área da saúde. Nesse contexto, cresce a importância do setor de Healthcare.

Essa área engloba todo o mercado de produtos e serviços voltados aos cuidados com a saúde, tais como planos de saúde e odontológicos, hospitais, clínicas, laboratórios, empresas farmacêuticas, equipamentos médicos, medicina preventiva, redes de farmácias, entre outros.

Nas últimas duas décadas, esse setor passou por transformações que eram inimagináveis anos atrás. Entre eles, podemos citar as descobertas do genoma humano e o seu impacto sobre a medicina preventiva, a possibilidade de desenvolver novas drogas a partir de pesquisas laboratoriais com as células tronco,

terapias combinadas para o tratamento do HIV, técnicas cirúrgicas minimamente invasivas e robotizadas, estudos funcionais do cérebro humano, entre outros.

 

Impactos da digitalização

A digitalização teve um papel fundamental em muitos desses avanços. Até 2019, a realização de consultas médicas e psicoterapêuticas através das redes soava estranho e as iniciativas governamentais para integrar a digitalização no setor de Healthcare ainda eram mais escassas. 

Nessa época, apenas alguns países estavam desenvolvendo medidas nesse sentido. Um exemplo era a Alemanha, que aprovou uma lei que permitia aos médicos prescreverem aplicativos de saúde e os custos serem reembolsados pelas seguradoras. Essa medida inaugurou um novo modelo de cuidados de saúde na Europa em termos de reembolso de prestadores de serviços nessa área a partir de seguro de saúde estatutário. Contudo, a chegada do novo coronavírus provocou uma verdadeira revisão de conceitos para os profissionais que ainda resistiam a esse modo de atendimento.

A digitalização também vem fortalecendo o papel da tecnologia da informação na área da saúde. A partir de artefatos tecnológicos como smartphones, já é possível aos médicos olhar alguns estudos sobre medicamentos e um exame de imagens gravado em micro vídeos antes de fechar o diagnóstico de um paciente. 

Segundo um estudo da Deloitte, o setor de Healthcare australiano hoje tem um potencial de incrementar disrupções digitais em 33%. Essa é uma área cujas inovações ocorrem de forma mais lenta em comparação a outros segmentos como as finanças e a construção. Porém, quando ocorrem, essas mudanças provocam transformações altamente impactantes e capazes de criar novos mercados e desestabilizar os concorrentes que antes o dominavam.

A pesquisa aponta que, nos próximos anos, a digitalização também deve alterar de modo significativo o modo de entrega dos serviços na área da saúde. Assim, a tendência é que os profissionais da saúde saibam cada vez mais utilizar a tecnologia para trocar informações de forma mais eficiente com cada paciente. Esse processo pode permitir a obtenção de diagnósticos e tratamentos mais precisos, bem como métodos mais adequados para a prevenção de doenças. 

A digitalização também vem abrindo novas possibilidade para as empresas no que se refere à saúde dos trabalhadores. Já existem apps e sites que fazem um mapeamento da saúde de funcionários e permitem o desenvolvimento de  programas de bem-estar focados na situação específica daquela empresa (problemas, regime de trabalho e organização interna) . 

Outra iniciativa que deve se tornar uma grande tendência é a criação de plataformas seguras e abertas que permitam o compartilhamento de dados. Os reguladores em países da União Europeia (UE) e nos EUA já buscam compartilhar os repositórios de dados para melhorar a liberação da inovação na medicina digital e na Inteligência Artificial. A partir dos recursos digitais, a UE já busca integrar dados entre os seus países membros para permitir prescrições digitais transfronteiriças e a troca de dados dos pacientes.

Nesse sentido, um dos principais atrativos da digitalização na área da saúde é a possibilidade de oferecer serviços e produtos mais personalizados e capazes de reunir e integrar um maior volume de dados. Essas recursos digitais também permitem a atualização automática e contínua sobre a condição de cada paciente e os tratamentos aos quais ele já foi submetido. 

Tudo isso é essencial para criar métodos, tratamentos e medicamentos que considerem e respeitem as especificidades de cada paciente. Outro estudo da Deloitte mostrou que, nos próximos dez anos, os serviços de healthcare serão marcados por três diretrizes: personalização, maior acessibilidade e tecnologia avançada. 

Assim, já é possível afirmar que a digitalização já está mudando radicalmente a forma como a medicina está sendo praticada e os parâmetros que guiavam esse setor até então.

 

Desafios

É inegável que já estamos alterando sensivelmente os serviços e produtos voltados para os cuidados à saúde. Contudo, existem inúmeros desafios para essa revolução.

O primeiro deles é o acesso amplo e irrestrito às redes. Esse obstáculo é ainda mais latente em países como o Brasil. Segundo dados de 2018 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), uma em cada quatro pessoas no país não têm acesso à internet, o que representa cerca de 46 milhões de pessoas. 

Além da extrema desigualdade social que marca o país, outra razão para esse quadro é a falta de infraestrutura mínima e amplamente disseminada pelo território nacional capaz de garantir o pleno funcionamento dos recursos digitais.

Outro desafio é a necessidade de incluir uma boa capacitação digital na formação dos profissionais da saúde. No contexto da digitalização na Healthcare, não basta saber utilizar determinados recursos digitais, mas é preciso saber como utilizar isso para produzir o melhor atendimento e tratamento para cada paciente.

A melhoria da segurança dos dados para garantir a confidencialidade, a autenticidade e a privacidade nos serviços de saúde realizados à distância também é outro fator que merece atenção. 

Somente em 2018 o Brasil aprovou a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) – marco responsável por definir os limites e condições para coleta, guarda e tratamento de informações pessoais. Embora essa aprovação tenha mostrado que o país está amadurecendo as discussões sobre o tema, ainda há muito o que fazer no sobre a proteção de dados no país.

Por fim, a digitalização nos serviços de saúde também suscita questões sobre como será a remuneração dos profissionais nos atendimentos de telemedicina tanto no setor público quanto no privado. Iniciativas como aquela implantada pela Alemanha em 2019 podem servir como parâmetro para essa discussão, mas cada país deve analisar as suas condições e legislação. 

Mesmo considerando tais desafios pelo caminho, já é possível falar: a revolução digital no setor de Healthcare já começou!

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